DIRETRIZES PARA A PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
BIÊNIO 2010/2011
1. Direção e Reflexões
A formação de recursos humanos solidamente qualificados continua sendo a função essencial da Universidade. No decorrer de sua história, os cursos de graduação da USP contribuíram de forma notável para a formação de profissionais, professores e cidadãos de cultura nas diversas áreas do conhecimento. A articulação entre atividades de pesquisa e ensino, nos níveis de graduação e de pós-graduação, consagrando critérios de mérito e qualidade, tem sido o traço marcante dessa atuação e devem ser continuadamente aperfeiçoados. As grandes transformações no mundo contemporâneo exigem dos órgãos centrais da USP e, em especial, da Pró-Reitoria de Graduação um papel singular de liderança, valorizando as atividades de ensino, estimulando reformas e experiências curriculares e acompanhando as repercussões educacionais das enormes mudanças ao nosso redor. Diferentemente da pesquisa e da pós-graduação, cujas ações são continuadamente perscrutadas por muitos olhares e apoios externos, a graduação depende das ações da própria universidade para seu desenvolvimento e sustentabilidade.
Em adição ao conhecimento acadêmico e ao treinamento profissional, a educação superior deve estimular o desenvolvimento pessoal e a responsabilidade social encorajando os estudantes a assumirem a condição de cidadãos de uma sociedade global como meio para que se respeite a diversidade do conhecimento. Além disso, em conseqüência da poderosa influência que a educação superior desempenha na promoção de valores essenciais para a sociedade, aliado ao impacto no desenvolvimento cultural, a educação superior não pode ser separada de valores éticos. Três pontos-chave têm sido indicados como referência para a educação superior: acessibilidade, valores e competitividade (“ Forum on Higher Education in the Europe Region, Bucarest ”, maio de 2009), sintetizados aseguir.
Acessibilidade. O acesso à educação superior deve observar critérios de equidade, com a consciência de que isso independe de fatores socioeconômicos, de gênero, origem étnica, idade ou limitação física. Entretanto, o esforço para obter esta equidade no ensino superior deve necessariamente ser acompanhado por ações complementares em outros níveis do sistema de educação. A melhora das condições econômicas e sociais dos países tem aumentado a demanda pelo ensino superior exigindo que nos debrucemos sobre novas possibilidades de ensino, reformulações de programas, diversidade das práticas de ensino e maior diversificação dos meios de transmissão do conhecimento. Adicionalmente, cuidado especial há de se ter para desenvolver políticas efetivas de permanência dos alunos.
Valores. “Education should produce knowing heads and honest hearts” (Thomas Jefferson). Valores éticos, juntamente com a liberdade acadêmica e a autonomia institucional, formam a “doutrina-chave” da educação superior. Sem suporte em tais valores acadêmicos, docentes encontram dificuldades para ensinar e estudantes não conseguem adquirir clareza de pensamento, comunicação cognitiva e habilidade para discernimento e responsabilidade social. Nesse contexto, a Universidade deve ter clareza de que sociedades fundamentadas em conhecimento não são somente responsáveis pela produção de conhecimento novo, relevante e tecnologicamente inovador, mas, também pela avaliação crítica do desenvolvimento econômico, social e cultural experimentados. Seria ideal agora desenvolver uma cultura mais humanística e diversificada, por meio de uma adequada e responsável flexibilização curricular, capaz de permitir que estudantes de qualquer área do conhecimento tenham acesso a disciplinas capazes de oferecer uma melhor visão de “artes, ideais, e valores”.
Qualidade. “Qualidade não é um ato, é um hábito” (Aristóteles). Considerações sobre qualidade têm sido cotidianas quando se pensa em educação superior. Insta elevar tal fator a um considerável padrão de reconhecimento internacional. A USP avançou significantemente como uma Universidade de Pesquisa ao longo dos anos e apresenta resultados que a colocam em uma posição invejável no contexto mundial. É necessário agora um olhar especial sobre o ensino de graduação, valorizando-o como se valorizou a pesquisa em outro contexto.
Competitividade. Educação superior e pesquisa ajudam o cidadão a desenvolver uma carreira de sucesso e inovar em sua atividade, tendo, portanto, importante papel no desenvolvimento da economia e na competitividade da sociedade. A troca de experiências e a acessibilidade ao conhecimento gerado no seio da universidade são de enorme relevância para a formação profissional com qualidade. No contexto da internacionalização, há que se estar preparado para as competições acadêmicas (competição entre instituições, acadêmicos e entre estudantes) por financiamentos, bolsas de estudos, estágios, prêmios e honras, garantindo que sejam sempre respaldadas em critérios acadêmicos e científicos transparentes.
2. Ações
Nos últimos quatro anos a Pró-Reitoria de Graduação criou, deu continuidade ou apoiou nove programas, que devem ser, num primeiro momento, continuados e subseqüentemente avaliados.
A Pró-Reitoria de Graduação valorizará o ensino de graduação em todos os seus segmentos através das seguintes ações: 1: melhoria das condições físicas no ambiente de ensino, adequando-o a padrões de qualidade que permitam maior interação entre as áreas correlatas de ensino; 2: melhoria e implementação de laboratórios e bibliotecas; 3: apoio ao desenvolvimento de ferramentas contemporâneas de ensino, métodos e técnicas contemporâneas de pedagogia; 4: comprometimento com o aperfeiçoamento dos sistemas de avaliação coerentes com as propostas de formação dos estudantes, desenvolvidas em nossa universidade. A Pró-Reitoria de Graduação quer reconhecer as atividades na graduação e tem como meta encontrar os meios para recompensar seus docentes pela qualidade das atividades no desenvolvimento do ensino de graduação.
A Pró-Reitoria de Graduação deve acompanhar novas propostas curriculares no país e no exterior. Após longo período de cultura ao “superespecialista”, nota-se que o indivíduo com visão mais geral e abrangente tem maiores condições de contribuir para a solução dos problemas da sociedade. Neste contexto, é necessária a construção de currículos mais flexíveis e repensar a maneira de ensinar. Estimular os alunos na construção de co-responsabilidade, transformando-os em agentes ativos de sua própria aprendizagem contribuirá para que se mantenham atualizados e capazes de criar conhecimento continuadamente. Caberá, à Pró-Reitoria de Graduação articular-se com as comissões de curso com a finalidade de simplificar currículos, valorizando conteúdos básicos e elementos multidisciplinares; flexibilizar os currículos aumentando a oferta de disciplinas optativas que contribuam para uma formação mais diversificada e humanística dos alunos, além de promover a troca de experiências, estimulando e facilitando o intercâmbio de estudantes de graduação dentro e fora do Brasil.
Em colaboração com as outras Pró-Reitorias e Órgãos Centrais, a PróReitoria de Graduação estimulará e apoiará atividades que fortaleçam a associação entre ensino e pesquisa como aqueles de iniciação científica. Do mesmo modo, apoiará atividades de monitoria e PET, considerados fortes instrumentos de interação entre alunos e docentes. A Pró-Reitoria de Graduação estimulará a inserção dos alunos em projetos que permitam o contato com diversas esferas da sociedade. Os programas de apoio à permanência dos estudantes na Universidade serão apoiados e aperfeiçoados.
A Pró-Reitoria de Graduação tem como meta apoiar e articular os trabalhos das várias comissões dos cursos de licenciatura com vistas a transformá-los em exemplos metodológicos para os novos cursos implantados no setor público. Quer ainda discutir e avaliar o papel da USP no apoio ao ensino público, através de experiências didáticas, programas-modelo, e programas de reciclagem e educação continuada de docentes; incentivar a participação de alunos e professores dos cursos de licenciatura em atividades didáticas inovadoras em escolas públicas de ensino médio; reforçar o programa de bolsas de “iniciação científica júnior”.
Para melhor cumprir sua função social as universidades públicas devem buscar alternativas de ensino além do ensino presencial, preservando a qualidade que caracteriza os cursos presenciais. No presente momento, a USP não pode se furtar à responsabilidade de elaborar, planejar e ministrar cursos que utilizem novas tecnologias de informação. O curso de licenciatura em ciências por Educação a Distância, de caráter semipresencial foi aprovado no Conselho de Graduação e no Conselho Universitário em caráter experimental.
A análise crítica e rigorosa dos resultados pela Pró-Reitoria de Graduação deve oferecer subsídios não só para sua eventual modificação, como pelo estabelecimento criterioso de políticas públicas de educação, passando, eventualmente, pela transformação do sistema clássico dos cursos presenciais por meio da aplicação de tecnologia de informação.
Os núcleos de apoio ao ensino de graduação devem ser fortalecidos e contribuir com a Pró-Reitoria de Graduação e seu Conselho para o estabelecimento de políticas para o ensino de graduação.
Finalmente, a concretização das ações dos Órgãos Centrais e de suas PróReitorias depende de uma articulação política entre todos os segmentos envolvidos. Assim, a Pró-Reitoria de Graduação considera essencial que os Dirigentes de Unidades, Chefes de Departamento e Comissões de Graduação atuem de maneira articulada para a efetiva consumação de suas diretrizes e propostas. Igualmente fundamental é o diálogo com a representação estudantil nos diferentes colegiados.
Profa. Dra. Telma Maria Tenório zorn
Pró-Reitora de Graduação
São Paulo, 02/10
